23/01/2009

AINDA A PROCISSAO VAI NO ADRO

AINDA A PROCISSAO VAI NO ADRO
MAS JA ESTOU FICANDO ABARROTADO
EU SOU ACERRIMO DEFENSOR DO POVO
QUERO DE 5 EM 5 ANOS UM NOVO PRADO

LA ME CASITA COM PLANOS DA ENSUL
PRECISA DE UMA GRANDE REMODELACAO
QUERO QUE SEJA FEITA BEM DEPRESSA
POIS VEM AI O MARIO CARRASCALAO

PRECISO DE MUITA GASOSA PRO CARRO
POIS TENHO QUE VISITAR O POVO
SIM O POVO DO MEU TIMOR LESTE
QUE VIVE NA PENURIA COMO O CORVO

TAMBEM QUERO IR AO ESTRANGEIRO
VISITAR OS MEUS CAMARADAS
DE TRES EM TRES MESES CHEGA
NAO QUERO AS VIAGENS TRAMADAS

E QUANDO DER O BADAGAIO
NAO SE ESQUECAM DAS VIRGENS SETE
E QUE UM DIREITO POR LEI ADQUIRIDO
POIS COMIGO NINGUEM SE METE

ZE DA LABIA

15/01/2009

Playing For Change: Song Around the World "Stand By Me"

From the award-winning documentary, "Playing For Change: Peace Through Music", comes the first of many "songs around the world" being released independently. Featured is a cover of the Ben E. King classic by musicians around the world adding their part to the song as it travelled the globe.


13/01/2009

Prémio - Título de professora do ano coube a emigrante portuguesa

12 Janeiro 2009 - 00h30

Foi uma portuguesa que ganhou o prémio de Professora do Ano da região da Austrália Ocidental. Rosinda Seara, 49 anos e emigrada na Austrália há 31, foi a escolhida entre 170 professores.

Natural de São Romão da Ucha, Barcelos, Rosinda Seara saiu de Portugal aos quatro anos para ir para Moçambique. Seguiu depois com os pais para o Zimbabwe, acabando por se estabelecer, posteriormente, na Austrália. A leccionar História e Geografia há 20 anos, a emigrante defende que "ser professor envolve mais do que estar numa sala de aula a ensinar", dedicando-se "totalmente" aos alunos.

O "total empenho" de Rosinda Seara levou a que, há anos anos, a professora tenha tirado a carta de condução de veículos de passageiros para levar os alunos da Escola Secundária de Hamilton Senior, Perth, a visitas de estudo. "Tirei a carta para conduzir autocarros para os levar nas visitas de estudo. Ficava caro alugar um autocarro, porque são poucos alunos", disse.

Com o título, a portuguesa arrecadou cem mil dólares australianos (51 mil euros).


Joana Freire com Lusa
In:
http://www.correiodamanha.pt

09/01/2009

Luís Carrilho: Missão em Timor

09 Janeiro 2009 - 00h32

O intendente da PSP Luís Carrilho foi nomeado pela Nações Unidas para chefiar a sua missão em Timor-Leste, onde Portugal participa com 191 elementos da GNR, PSP e SEF.


In: http://www.correiomanha.pt

Timor-Leste: expedição descobre uma das maiores concentrações de baleias e golfinhos do planeta

03.01.2009 - 15h01 Helena Geraldes

Depois de seis meses a sobrevoar as águas ao largo de Timor-Leste, à procura de cetáceos, tartarugas, tubarões, raias e crocodilos, sete investigadores subiram a bordo do navio oceanográfico “Timor Tiger” e o que descobriram deixou-os maravilhados.

Colados aos binóculos, estes cientistas dizem ter encontrado uma das maiores concentrações de baleias e golfinhos do planeta. Um verdadeiro “hot spot” de biodiversidade.
Em apenas um dia de observações foram registados mais de mil animais em oito grupos separados, numa faixa com 50 quilómetros de extensão. “Esta é uma das zonas mais abundantes em cetáceos alguma vez encontrada”, comentou Karen Edyvane, cientista do australiano NRETAS (Department of Natural Resources, Environment, The Arts and Sport).
“Os golfinhos e baleias estavam, literalmente, a saltar na água por todo o lado à nossa volta. Era difícil decidir que animal fotografar”, contou José Monteiro, biólogo timorense. A bordo do “Timor Tiger”, navio de madeira tradicional indonésio com 20 metros e o primeiro a ser registado naquele país para a investigação científica oceanográfica, foram identificadas dez espécies de cetáceos, entre elas a baleia-azul, baleia-bicuda, baleia-piloto-de-aleta-curta, golfinho-de-risso e o golfinho-comum. “O ‘Timor Tiger’ é um excelente navio para observar cetáceos. Tem vários níveis e plataformas que permitiram aos observadores encontrar animais a grandes distâncias”, comentou Edyvane.Em dias com boas condições climatéricas foram observados grupos com cerca de 400 indivíduos, salientou a bióloga australiana. “Ficámos todos maravilhados com tanta abundância, diversidade e densidade de cetáceos”.
A expedição, que foi o primeiro grande estudo de cetáceos em Timor-Leste, veio confirmar aquilo que os biólogos marinhos apenas suspeitavam: as águas profundas dos estreitos de Wetar e Ombai, ao largo de Timor - que podem ter até três mil metros de profundidade -, são uma importante rota migratória e corredor para a vida marinha, ligando os oceanos Pacífico e Índico.
“É vital que Timor-Leste continue o seu trabalho de investigação científica para saber mais sobre estas magníficas criaturas e garantir que estas populações de cetáceos sejam devidamente protegidas”, considerou José Monteiro.A expedição, coordenada por Mark Meekan, do Instituto australiano para a Ciência Marinha, foi financiada pelo Ministério timorense da Agricultura e das Pescas, no âmbito de um projecto sobre conservação costeira e marinha. O objectivo é desenvolver actividades marinhas sustentáveis e promover o emprego e o desenvolvimento económico.
Mas esta descoberta, além de ser benéfica para Timor-Leste, representa muitos desafios. “O Governo de Timor-Leste reconhece o enorme potencial para o ecoturismo ao longo da sua costa e vai agir com cautela no desenvolvimento dessa indústria”, garantiu Celestino Barreto de Cunha, director das Pescas no Ministério das Agricultura e Pescas. “Estamos comprometidos em garantir a protecção desta biodiversidade marinha e vamos continuar a procurar aconselhamento científico da Austrália sobre o desenvolvimento sustentável da indústria do ecoturismo”, acrescentou.

In: http://ultimahora.publico.clix.pt

30/12/2008

Amazing Grace

Native American - Amazing Grace (in cherokee)




il Divo_Mama

Dedicado à minha querida mãe com muito amor.

Laumalai

Por Ti Sere- IL DIVO

A MISSÃO

Sempre pensei que a vida devería ter um significado, que não fosse apenas o estarmos aqui a ver o tempo passar, por vezes dando valor a coisas que na realidade não têm assim tanto valor.
Cada vida deverá servir para servir, para crescer,... para evoluir. Cada vida deverá ter uma missão que nos está destinada e que, com o passar dos anos e das vivências, se deverá ir revelando.


Cabe a cada um de nós, ter a capacidade para olhar e abrir o coração aos sinais que cruzam os nossos caminhos e, cabe a cada um de nós, a decisão de seguir esses sinais, e assim, pelo menos tentar cumprir a missão que nos foi destinada.

Desde que me lembro que o meu grande sonho era o de voltar à minha terra - Timor Leste. Durante anos alimentei esse sonho apesar das minhas recordações em relação a esta serem nulas, uma vez que saí de lá bem pequena. Mas apesar do meu grande envolvimento a oportunidade tardava em surgir.

Há alguns meses atrás tudo se começou a revelar. Eu não iría apenas a Timor. Eu iría regressar a casa por alguns meses com o objectivo de cumprir parte da minha missão - ser mãe.
Em Timor eu nasci e em Timor eu fui mãe de um lindo menino, que é uma dádiva de Deus.
Não sei se sou digna de tamanha dádiva e todos os dias me questiono, se serei capaz de cumprir esta minha tarefa. Mas agradeço a Deus as oportunidades e tudo farei para seguir o meu caminho e cumprir esta e qualquer outra missão que me esteja destinada.

O ano que agora termina, foi um ano em cheio na minha vida e tenho a certeza que em 2009 me serão dadas novas oportunidades para cumprir a minha missão. Só preciso estar atenta aos sinais e não os desperdiçar com futílidades.
Desejo a todos, que façam o mesmo. Que não desperdicem as oportunidades que vos são dadas, que tenham esperança e fé, que sejam felizes e que transbordem a vossa felicidade pelo mundo.

FELIZ ANO 2009


Laumalai

Ennio Morricone - The Mission

24/12/2008

Feliz Natal para todos e que Cristo ilumine as vossas vidas, trazendo Amor, muita Paz, Alegria e Esperança a todos os corações.

Laumalai








04/12/2008

ESTOU DE VOLTA

CANÇÕES DE DILI

A destruição da cultura portuguesa no Timor Leste durante os anos da sangrenta ocupação indonésia. Este documentário foi filmado em 16mm clandestinamente entre os anos de 1997 e 1998. A trilha é composta de canções cívicas indonésias cantadas por crianças timorenses e de uma entrevista com um membro da guerrilha que lutou pela independência do Timor.The portuguese culture´s destruction in East Timor under Soharto´s domination. Twenty five years without speaking portuguese. Told by a local unsurgent and by indonesia songs by children from Timor.
Dir. André Bechelane - 2003

14/06/2008

EAST TIMOR - Timor is a new nation in the world

Dive Timor-Leste (East Timor)



Visite Timor Leste.

Visit East Timor

Timor precisa de si para desenvolver o turismo e ajudar a melhorar a vida do seu povo.

Timor and the people needs your help to develop the turism.

E... com certeza que, a beleza da natureza e a hospitalidade do seu povo o vão surpreender, e fazer sentir mais humano entre os humanos.

I´m sure, the natural beauty and hospitality will surprise you and will make you fill much more human.

Timor Leste - They don't really care about us...

10 de Junho assinalado em Timor

O 10 de Junho foi assinalado, em Timor-Leste, com um programa de rádio transmitido pela RDP Internacional. Neste programa portugueses, na maioria professores, falaram da vida que levam no território e das dificuldades que sentem.

Vídeo:
http://ww1.rtp.pt/noticias/index.php?headline=98&visual=25&article=350141&tema=27

In: http://ww1.rtp.pt/noticias

ONU e Timor assinam acordo para rever setor de segurança

Dili, 13 jun (Lusa)

O governo de Timor Leste e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) assinaram nesta sexta-feira, em Dili, um acordo de apoio à revisão do sector de segurança já em desenvolvimento.
O apoio do PNUD concretiza um ponto central do mandato da Missão Integrada das Nações Unidas em Timor Leste (UNMIT), relativo à reforma do sector de segurança.
O destinatário directo do apoio do PNUD é o grupo para a Reforma e Desenvolvimento do Sector de Segurança, um mecanismo criado em Agosto de 2007 no seio da presidência da República e onde estão representados o Parlamento Nacional e o governo.
O primeiro-ministro, Xanana Gusmão, o representante-especial do secretário-geral da ONU em Timor Leste, Atul Khare, e o representante do PNUD e número dois da UNMIT, Finn Reske-Nielsen, assinaram o acordo numa cerimônia curta no Palácio do Governo.
Os três responsáveis destacaram que a revisão do sector de segurança “é um processo liderado e conduzido pelas autoridades timorenses”.
O acordo assinado hoje permite também a colaboração directa da Unidade de Apoio ao Sector de Segurança (SSSU) já existente no seio da UNMIT, com o grupo criado pelas autoridades timorenses.
Finn Reske-Nielsen recordou que a estabilidade e a segurança é um ingrediente essencial do desenvolvimento económico, que apontou como justificação para o PNUD apoiar directamente a revisão em curso do sector.
Atul Khare salientou que a revisão e a concretização da reforma já em curso “permitirá a Timor Leste enfrentar crises no futuro sem recorrer a ajuda externa, além de fortalecer o estado de direito e a vida democrática”.
O acordo tem uma alocação de US$ 1,2 milhão, disponibilizados pelo próprio PNUD, pela Noruega, a Austrália e a Irlanda.
Duzentos mil dólares serão usados para uma consulta nacional sobre o sector de segurança, a ser realizada em todas as comunidades.
A equipa do projecto estará localizada no comité coordenador do grupo para a Reforma e Desenvolvimento do Sector de Segurança, com um director internacional e cinco assessores timorenses.
Estes assessores representam o gabinete do primeiro-ministro, as secretarias de Estado da Defesa e a da Segurança e os ministérios das Relações Exteriores e o das Finanças.
A revisão do sector de segurança inclui análises parcelares, de ameaças externas e internas, de falhas institucionais e normativas e do ambiente estratégico.
Dos termos do acordo hoje assinado consta “uma pesquisa detalhada das percepções públicas das ameaças de segurança e do sector de segurança”.
O projecto faz também referência à “capacitação através de assistência directa às autoridades timorenses”, por exemplo em áreas como a intendência e a gestão financeira.
Atul Khare recordou que “em todos os países democráticos, a revisão do sector de segurança é feita com regularidade”.
O preâmbulo do acordo recorda a crise de 2006, com a expulsão de quase metade dos efectivos das Falintil-Forças de Defesa de Timor Leste, a implosão da Polícia Nacional e o conflito entre as duas forças, que provocou pelo menos 38 mortos e mais de cem mil deslocados.

In : http://www.agencialusa.com.br/

Estudantes de Timor protestam contra regalias de deputados

Dili, 11 jun (Lusa)

Estudantes universitários manifestaram-se esta quinta-feira, pelo segundo dia, em Dili, capital do Timor Leste, contra a aquisição de 65 carros para o Parlamento, considerada mais uma regalia dos deputados.
A proposta de compra dos veículos para os 65 deputados foi anunciada há uma semana pelo presidente do Parlamento timorense, Fernando La Sama de Araújo.
Os carros têm preço unitário de US$ 33 mil, enquanto a maior parte da população do Timor Leste vive com US$ 1 por dia.
Protestos semelhantes já tinham acontecido em 2007, quando os deputados aprovaram a sua própria pensão vitalícia.
Uma lei de janeiro de 2007 estabeleceu uma “pensão mensal vitalícia igual a 100% do vencimento desde que [os deputados] tenham exercido o cargo, em efectividade de funções, durante 42 meses, consecutivos ou interpolados”.
Em caso de morte do beneficiário da pensão, o valor integral é transmitido ao cônjuge, aos filhos menores de idade ou aos ascendentes sob responsabilidade do parlamentar.
No artigo intitulado "outras regalias", a mesma lei estabelece o “direito a assistência médica dentro, e, sempre que for considerada necessária, fora do país”.
Os deputados têm também "o direito a importar um veículo para uso pessoal, sem pagamento de taxas aduaneiras e outras imposições fiscais sobre as importações”.
Podem ainda “importar todo o material necessário para a construção de uma residência privada” nas mesmas condições de isenção fiscal e aduaneira.
Os membros do Parlamento beneficiam de "direito a livre-trânsito e a passaporte diplomático", assim como cônjuges e descendentes.
A estes benefícios, somam-se os salários normais dos deputados, que são o triplo do que recebem os funcionários públicos nos escalões médios e superiores do país.
O vencimento-base de um deputado timorense é de US$ 450, mais US$ 300 para gastos com telefone e US$ 450 para despesas de alojamento.
Os deputados têm direito ainda a diferentes auxílios para transporte.
O presidente do Parlamento do Timor Leste recebe US$ 1.000 de salário, o vice-presidente US$ 750 e a secretária de mesa US$ 600, além dos extras para telefone e alojamento.

In: http://www.agencialusa.com.br/


No minímo chocante!
Infelizmente, os aproveitadores existem em todo o lado!

Claro que fazer fortuna pessoal é mais importante do que tratar do bem estar do povo e do desenvolvimento do país.
Quando é que o dinheiro do fundo petrolífero começa a ser usado para beneficiar o país e o povo? Para quê ter um fundo petrolífero que é dos mais bem considerados do mundo, se o povo continua a passar fome? Não acham que o povo timorense já sofreu o suficiente?
Este protesto não podería ser mais legítimo!
Só temo que, a não ser tomada uma atitude correcta, por parte do governo, no sentido de melhorar as condições da população, possam voltar a acontecer conflitos. Vamos rezar para que isso não aconteça, e para que os governantes de Timor se mostrem dignos dos votos que receberam nas últimas eleições, e não esqueçam as promessas que fizeram.

Um abraço
Laumalai

21/04/2008

Isto é o cúmulo! Quase fiquei mesmo sem palavras.
1º - A mal escrita, descarada e tendenciosa entrevista é apenas uma demonstração de algum mau jornalismo que se pratica por aí.
2º- Esta senhora não conhece mesmo a realidade das nossas escolas e do ensino no nosso país.
Fala da divisão da carreira como tendo sido um enorme feito, quando na realidade, em grande parte dos casos esta foi uma das maiores aberrações.
Fala dos resultados do relatório PISA apenas para o que lhe convém.
Fala da violência nas escolas como se de um mal menor se tratasse, não reconhecendo as inúmeras situações de Bulliyng que se vivem no dia-a-dia escolar.
Sobrevaloriza os resultados dos exames, esquecendo que, pelo menos no ensino básico a avaliação é continua, tendo por isso em conta muitos outros parâmetros além dos conhecimentos e que muitos alunos não teriam hipótese de passar de ano se apenas se tivesse em conta o exame.
Não sabe que muitos alunos transitam ano após ano, sem saber ler ou fazer operações matemáticas simples.
Não sabe que grande parte do tempo de aula é gasto pelo professor a chamar à atenção dos alunos para os seus comportamentos inadequados, que prejudicam o funcionamento das aulas e consequentemente a aprendizagem de todos.
...
Apesar de todas as habilitações que mostra no seu curriculum, demonstra uma enorme teimosia que lhe abafa a inteligencia, cegando-a e não a deixando entender/ver o que está claramente à vista de todos.
Ou será que vê e está a fazer um jogo sujo, que tresanda de tão pobre que já está.
3º- Fala da avaliação dos professores como se ela nunca tivesse existido.
Vale a pena ler na revista "o boletim dos professores" do mês de Abril, que é editada pelo ME, na página 8, a última frase da resposta à pergunta "Como era o anterior sistema de avaliação?", onde está escrito "... Para ter uma nota superior, era necessário que o docente requeresse a apreciação desse relatório por uma comissão de avaliação. De qualquer forma, essa classificação não tinha nenhum efeito, uma vez que todos os professores, mesmo os que não faziam relatórios ou não davam aulas, progrediam na carreira."
A senhora não sabe que todos os relatórios eram apreciados por uma comissão de avaliação de docentes constituida por elementos do Conselho Pedagógico?
A senhora não sabe que, caso os professores não fizessem os relatórios, ou não tivessem os comprovativos do número de créditos necessários (conseguidos apenas com a frequência de acções de formação) ou ainda se nesses relatórios existissem irregularidades...o professor não progredia na carreira?
Que mais não sabe a senhora ministra sobre o funcionamento do seu ministério?!
Claro que muito mais haveria para dizer, mas o texto já vai longo.

Boa semana de trabalho.
Um abraço
Laumalai

Entrevista CM: Maria de Lurdes Rodrigues

20 Abril 2008 - 13h00

“Somos o País em que há mais chumbos”

Maria de Lurdes Rodrigues ministra da educação recusa ter feito chantagem sobre os sindicatos para obter um acordo na avaliação dos professores e continua a dizer que seria impensável não haver quaisquer consequências dessa avaliação na carreira e nos vencimentos dos docentes. Afirma que os chumbos são uma forma de facilitismo para resolver os problemas dos alunos com dificuldades, porque os deixa entregues a si mesmos. E revela que Portugal é o país onde há mais chumbos .


Correio da Manhã – Este acordo com os sindicatos a propósito da avaliação dos professores teve por base uma chantagem do Governo, como afirmou a socialista Ana Benavente?

Maria de Lurdes Rodrigues – Não, não foi feita nenhuma chantagem. Repare, o que aconteceu é que, em minha opinião, os professores foram induzidos no erro de pensar que era possível não haver avaliação e daí não ocorrerem nenhumas consequências.

- Tem consequências nos contratos e nos vencimentos?

- O que está estabelecido no decreto regulamentar é que a avaliação, que no anterior modelo não tinha qualquer consequência em termos de progressão na carreira e contagem do tempo de serviço, neste modelo tem consequências. E era necessário chamar a atenção para as consequências.

- Foi isso que alguns apelidaram de chantagem?

- Claro. O que acontece é que Governo nenhum, na minha opinião, estaria disponível para abrir uma excepção para os professores num quadro em que toda a administração pública está a ser avaliada e tem condicionamentos na sua progressão em função dos resultados da avaliação.

- E os professores não têm consequências tão gravosas, pois não?

- No caso da administração pública é pior porque mesmo com avaliações positivas o que acontece é que as progressões estão dependentes da autorização da chefia directa, de questões orçamentais.

- Estão limitadas.

- Exactamente. E no caso dos professores a situação é muito diferente porque nós temos a noção de que a função docente é diferente, mais exigente, tem outras características, tem um modelo diferente. Agora não podíamos criar uma situação em que não concretizando a avaliação se colocava o problema do que é que acontecia na carreira.

- A chantagem, em suma, foi apenas esse alerta?

- Isso foi lido por alguns sectores como sendo chantagem. Na minha opinião foi apenas a clarificação da situação. Porque eu ouvi muitos dirigentes sindicais, no momento mais alto da contestação, dizerem que não ia acontecer nada porque os professores não podem ser prejudicados.

- Quis avisá-los que iam mesmo ser prejudicados?

- Exactamente. Seriam seguramente prejudicados porque nenhum Governo, este ou outro qualquer, de criar uma situação de excepção para os professores. E era mau, muito mau para os professores.

- Porquê?

- Porque era transmitir à opinião pública a mensagem de que os professores estão fora daquilo que é a normalidade.

- De que eram uma excepção?

- Uma excepção, um corpo à parte. Os professores não precisam disso. Os professores não precisam de ser um corpo à parte. Precisam de ter condições diferentes do resto da administração pública, como têm neste modelo de avaliação.

- Foram precisos muitos anos para se arranjar um modelo de avaliação dos professores. Porquê? Por receio político?

- E de outros funcionários públicos, não foram só os professores. Esta situação não era um exclusivo dos professores. Foi difícil, está ainda a ser difícil, vai ser difícil durante alguns anos porque foram muitos anos em que aquilo que vigorou foi um paradigma que é contrário, em quase todas as dimensões, àquele que é o paradigma que estamos a tentar concretizar agora.

- É um novo paradigma?

- É um novo paradigma seguramente. Repare. A divisão da carreira em duas categorias é uma situação que é muita estranha para os professores. Porque durante trinta anos as associações sindicais construíram um grupo homogéneo, acabaram com todas as diferenças.

- Todos iguais?

- Todos iguais. Os professores do 1 º ciclo eram diferentes, os professores de ginástica eram diferentes, os professores de educação visual eram diferentes de todos os outros professores. Tudo acabou. A única variável que os professores continuaram a considerar legítima para os distinguir era o tempo de serviço. Era a carreira.

- Só isso?

- Só isso. Mas esse tempo de serviço era muitas vezes um tempo de calendário.

- Não significava serviço efectivo?

- Não, era um tempo de calendário. Agora estamos a propor uma alteração completa. Que é a reestruturação da carreira em sentido vertical, a sua verticalização. E isso é absolutamente necessário porque se fazem as comparações com outras profissões e com a profissão docente em outros países e este é o caminho natural de evolução de uma profissão. Nenhuma profissão pode ser de progressão cilíndrica, em que não nenhuma estruturação vertical. Porque isso é contrário ao princípio de carreira.

- Porquê?

- O princípio de carreira a estruturar as profissões significa que se admite que mais tempo de serviço significa mais experiência, mais competências. Há carreiras em que nós admitimos que o tempo de experiência conta, é uma mais-valia.

- Isso não se passava com os professores?

- Não. Havia carreira, havia os professores mais experientes, mais graduados e melhor remunerados mas isso não correspondia a nenhuma responsabilidade. O que fizemos foi reestruturar, no fundo formalizámos essa diferença e os professores com mais experiência e mais competências devem assumir mais responsabilidades no interior da escola, mais tempo de trabalho na escola e devem ter mais responsabilidades na avaliação e acompanhamento dos professores mais novos. E isto são mecanismos comuns a todas as profissões e eram uma excepção na função docente.

- E isso é muito estranho para os professores?

- Eu sei que é muito importante concretizar estes princípios. Mas também sei que isto é muito estranho para a maioria dos professores.

- Era o tal paradigma de que falava?

- É.

- Esse paradigma foi alimentado politicamente durante muitos anos e deixaram os professores funcionar completamente à solta, não acha?

- Isso já não diria.

- Não foram os sindicatos que determinaram durante anos toda a legislação produzida neste Ministério?

- Não tive essa experiência. Não tinha nenhuma experiência no Ministério da Educação. Ouço dizer isso muitas vezes mas eu na realidade não sei, não conheço o suficiente para poder dizer que foi ou não assim.

- Mas consigo mudou essa situação. A decisão política não é deixada aos sindicatos.

- Não sei se mudou a decisão. O que lhe posso dizer é que comigo não é assim. Com esta equipa não é assim. Com esta equipa são apresentadas propostas aos sindicatos, que obedecem a alguns princípios. Normalmente decidem-se princípios, depois dá-se corpo a esses princípio nos decretos-leis, nas leis e depois as coisas fazem o seu caminho.

- Mas os sindicatos queixam-se que de a sua equipa quando vai para negociação já vai com posições definitivas e apenas perguntam a opinião deles. Que não há verdadeiras negociações.

- Vamos lá ver. O que é a negociação? A negociação não pode significar, é bom que não signifique, a perda daquilo que são os pontos de partida, os pontos de referência. O Ministério da Educação, pelas razões que já lhe disse, considera muito importante reestruturar a carreira em duas categorias: professor e professor titular.

- E os sindicatos nem querem ouvir falar disso?

- Os sindicatos reagem negativamente, não aceitam a necessidade de reestruturar a carreira por razões que eu consigo compreender até pela história recente da carreira docente. Não aceitam. Mas o Ministério vai para a frente com a proposta, apresenta uma proposta de reestruturação da carreira. Os sindicatos vão para a negociação e de duas uma: ou têm capacidade de destruir, convencer o Ministério da Educação de que isto é errado, ou não.

- E como é não têm de se aproximar da sua posição?

- Se percebem que é um princípio de que o Ministério da Educação não abdicará então vamos ver como é que esta proposta de concretizará causando prejuízos mínimos ou transições mais suaves. Admite que há transições que podem ser muito mais suaves. E isso é que faz toda a diferença num processo negocial. É a intransigência, é o ponto de afastamento em relação àquilo que são os princípios de cada uma das partes.

- E essa intransigência tem sido grande da sua parte?

- Admito que tenha havido na revisão do estatuto da carreira docente e em algumas novas regras que foram introduzidas princípios, como este da reestruturação da carreira, que é o mais simbólico, digamos assim, que são totalmente estranhos aos...

- Professores?

- Aos professores e aos sindicatos. Mas como a estratégia dos sindicatos não deu resultados com esta equipa em relação aos princípios definidos muitas vezes admito que haja a percepção por parte de quem está a negociar que não houve uma verdadeira negociação. Mas há muita margem de trabalho entre o princípio e a sua aplicação.

- Como se vai concretizar no terreno?

- Exacto. A dificuldade nos processos negociais é encontrar os espaços de trabalho conjunto, que foi o que conseguimos, apesar de tudo, agora neste processo de entendimento sobre a avaliação. Os sindicatos não saíram da sua posição, continuam a considerar que não era necessário mudar o modelo de avaliação, continuam a usar vários adjectivos sobre este modelo e nós continuamos a manter os nossos pontos de vista. Mas conseguimos encontrar esse espaço de negociação na concretização.

- Há algumas críticas aos sindicatos por terem assinado esse acordo.

- O memorando de entendimento é sério porque nenhuma das partes abdicou dos seus princípios, nem de os continuar a declarar e defender. Em qualquer caso do lado do Ministério da Educação há uma aproximação àquilo que são as preocupações dos professores. Isto é, se a preocupação é com os efeitos negativos da avaliação, então vamos criar aqui um espaço de maior exigência e de confirmação.

- Agora já não são penalizados á primeira avaliação negativa, não é?

- Exacto. Já não é à primeira avaliação negativa que as pessoas são penalizadas.

- Quando é que um professor sente de facto na pele e é penalizado por ser um mau professor?

- No segundo ciclo. Com a confirmação. Todos aqueles que tiverem uma avaliação que confirme a avaliação negativa sofrerão os efeitos desse resultado.

- Falando da qualidade dos professores. O ponto máximo de mobilização dos professores, na manifestação de 8 de Março, foi a avaliação. Muitos professores terão medo da avaliação? Qual é, em sua opinião, a qualidade média dos professores? É boa, medíocre ou má?

- Já me têm feito essa pergunta.

- Qual é sua ideia, que expectativa tem dos resultados da avaliação?

- Acho que a profissão dos professores é como todas as outras profissões.

- Claro.

- Há de tudo. Veja a comparação que muitas vezes se faz entre a escola pública e a escola privada. Diz-se que a escola privada funciona melhor, tem melhores resultados, tem melhores professores, podia deduzir-se isso. Mas não se pode dizer isso, até porque a base de recrutamento dos professores é a mesma. Muitas vezes os professores são os mesmos, porque acumulam. As escolas profissionais são um exemplo dessa acumulação.

- Essas acumulações não prejudicam a escola pública?

- Nestes últimos três anos criámos umas regras que impedem essas acumulações com a facilidade que acontecia anteriormente. Mas como lhe dizia, a base de recrutamento é a mesma. O que muda são as regras, a organização. As organizações quando funcionam superam as insuficiências dos profissionais. É o que acontece num hospital. Um médico falta e é substituído porque funciona a organização. É o que acontece nos colégios privados e que muitas vezes não ocorre nas escolas públicas. É justamente o efeito organização. Acho que os professores têm práticas excelentes, práticas muito boas, práticas boas e haverá casos, como costume dizer, de falha de vocação.

- E de preparação de base, não acha?

- De preparação de base. Também admito. Mas não é nada que não se supere com o trabalho. Nós aprendemos muito ao longo da vida, mesmo com uma preparação de base deficiente. Há sempre muitas oportunidades de melhorarmos as nossas prestações e o nosso conhecimento. Agora, a diferença são as exigências e as regras de funcionamento organizacional.

- Isso leva-nos ao novo modelo de gestão das escolas.

- Ao modelo de gestão e o modelo de avaliação também. A avaliação dá às escolas, a quem dirige as escolas, tanto do ponto de vista da gestão como pedagógico, os meios para distinguir os melhores professores. No fundo, para estabelecer os diferenciais de qualidade. Estabelecer o que é um professor excelente para essa organização, o que é muito bom e por aí adiante. E os professores com esses referenciais podem evoluir e aproximar-se desses modelos.

- Coisa que agora ainda não há na escola pública.

- Agora em espaços organizacionais em que estes modelos não existem, tanto faz ser muito bom como muito mau, não há consequências. É por isso que eu sou uma defensora do modelo de avaliação. Deste ou de outro qualquer. Já tenho dito e repito. Eu acho que não há modelos ideais. Cada País tem o seu modelo.

- É muito subjectivo?

- O importante é que exista um modelo, que tenha consequências e que seja apropriado pelos próprios profissionais, que sejam os profissionais a defender o modelo de avaliação. Isso é absolutamente essencial. O pior que pode acontecer é quando os instrumentos de gestão são desvalorizados por quem deles pode beneficiar. Mas eu creio que não é isso que vai acontecer.

- O novo modelo de gestão, com a figura do director, não vai permitir resolver em grande parte os problemas de indisciplina e violência nas escolas?

- Para o problema da indisciplina eu acho que há um conjunto de medidas que têm de ser convergentes com esse objectivo. O modelo de gestão que foi aprovado e que será agora publicado é um modelo que reforça a autoridade, os princípios de autoridade e de responsabilização no interior da organização. Agora também foi importante a revisão do Estatuto do Aluno.

- Também muito contestado.

- Foi importante a revisão na dimensão da desburocratização do procedimento. Na possibilidade da repreensão automática. Porque no anterior estatuto a repreensão não era automática. Primeiro fazia um requerimento e depois é que repreendia. Isso é que não pode ser.

- Não havia também algum medo dos professores de fazerem participações disciplinares dos alunos? Das consequências que lhes podiam cair em cima?

- Isso pode existir. Já me têm feito referências a essa possibilidade. Mas voltamos de novo ao ponto da organização funcionar. O professor até pode ter receio ou até pode ter medo. Admito. Não é saudável, mas admito.

- Falava na organização para superar isso?

- Exacto. Com o funcionamento da organização. O professor tem de ser apoiado, não pode estar a não ser numa equipa de professores que o possam sentir mais seguro, com mais força. Por isso é que eu insisto muito no tópico da escola como organização. É aí que se superam as deficiências e as dificuldades inevitáveis em todas as organizações. Seja qual for, em qualquer equipa de trabalho. As pessoas não precisam de ser todas excelentes. Precisa é de ter excelência naquelas equipas. E isso é que as nossas escolas tinham um défice dessa responsabilização individual, dessa exigência de trabalho de equipa.

- Não era uma organização a sério?

- Não era uma organização que fosse gerida por esses princípios. E voltando à questão da indisciplina. Eu já tenho dito muitas vezes que o problema mais difícil do sistema educativo, e digo-lhe com toda a franqueza, é a questão do valor do saber. O valor do trabalho e do estudo naquela organização chamada escola. A especificidade da escola é que é uma organização que se institui em torno do objectivo do estudo, do saber e do conhecimento.

- É essa a questão central do sistema educativo?

- Para mim é. E quando este elemento não está no centro da escola é muito difícil resolver os outros problemas. Fala-se muito de indisciplina mas esse é o problema central.

- De indisciplina e de violência.

- A dimensão mais grave da indisciplina é quando impede que os bons alunos possam trabalhar tranquilamente. E mesmo os alunos médios que não sentem um ambiente de trabalho e de estudo.

- Uma das críticas que se faz é ao facilitismo instalado na escola pública. Não há exigência, não há trabalho. Que a escola devia chumbar quem não sabe e não trabalha? Concorda com isto?

- Sabe que há muitas contradições nesse discurso. E no nosso sistema há muitas contradições. Porque, em minha opinião, a repetência ou o chumbo é o elemento mais facilitista do sistema educativo.

- Mais facilista? Como?

- É a coisa mais fácil. O aluno está com dificuldades, fica ali num cantinho da sala e no final do ano repete. Isso é o que há de mais facilitista no nosso sistema. E são muitos e pratica-se com demasiada frequência.

- Com muita frequência?

- Sim. Eu tenho um estudo do PISA ( Programme for International Student Assessment) com coisas muito interessantes. Este estudo procura comparar os resultados dos países do Sul que têm todos estes fenómenos da repetência e como a repetência não ajuda a melhorar os resultados escolares.

- Não ficam a saber mais?

- Não. O princípio é este: não sabes ficas mais um ano para repetires toda a matéria que deste para ficares a saber. E o que acontece é que a segunda parte desta premissa não se verifica. Ele chumba, fica para repetir, repete mas não aprende. Pelo contrário. Desaprende.

- Fica pior?

- Fica pior. E por isso é que eu digo que é facilitista porque é a maneira de deixar os alunos entregues a si mesmo. É uma contradição do nosso sistema. Que é considerar que a exigência se mede pelo número dos que repetem. Nós temos inúmeros alunos a repetir muito mais do que a média de todos os países da Europa ou mesmo da OCDE. Somos o País em que há mais repetências.

- Mais chumbos?

- Somos o País em que há mais chumbos. E por aí o nosso sistema não seria facilitista, seria exigente, mas na realidade é facilitista porque essa repetência não serve para aumentar o rigor e a exigência de trabalho com esses alunos. Ficam numa espécie de limbo que depois prejudicam muitíssimo os nossos resultados como se pode ver no estudo do PISA.

- Prejudicam como?

- Se considerarmos na amostra os alunos que não repetem, os alunos que estão no ciclo adequado à sua idade têm valores iguais à média dos países da OCDE. Até produzimos mais excelência. Isto é, os nossos alunos do 7 º ano muito bons são melhores do que os muito bons dos outros países. Mas depois temos o peso dos que chumbam, dos que ficam retidos, que puxam os nossos resultados médios para baixo.

- Mas não defende que esses alunos deviam passar todos para melhorar as médias, pois não?

- Não, claro que não. O que significa é que a repetência devia constituir um espaço de trabalho efectivo para que eles recuperassem. O problema é que esses alunos nunca recuperam.

- Ficam para trás?

- Vão repetindo, ficam para trás e pesam nos resultados globais muito negativamente porque a repetência, de facto, na minha opinião, é facilitista porque não é um meio de os obrigar a estudar a mais e a aprender.

- Como é que isso se resolve? É a escola e a sua organização?

- Temos de diversificar. Não pode ser mais do mesmo. Quando se percebe que, por diversas razões, em determinado momento do percurso escolar de um aluno as coisas não estão a funcionar a diversidade de instrumentos pedagógicos e as estratégias de ensino deviam ser imediatamente accionadas. Repare que em Portugal 10 por cento das crianças com sete anos de idade chumbam. Não há nenhum País na Europa com este fenómeno.

- Aos sete anos?

- Aos sete anos de idade.

- Porquê?

- A razão são as dificuldades com a leitura. São crianças que aos sete anos não aprendem a ler com a desenvoltura da maior parte das crianças. O que era preciso não era chumbá-las. Era no momento exacto em que se percebem as dificuldades superá-las com mais trabalho. Com outras estratégias. Porque hoje há muito conhecimento, a pedagogia evoluiu imenso.

- Para isso é preciso mais preparação dos professores?

- Mais preparação também. Evidentemente. Sabe que o Plano Nacional de Leitura está a pôr isto a descoberto.

- A descobrir as insuficiências?

- As insuficiências e a accionar os meios de formação dos professores. Mas o segredo, na minha opinião, para combater esta questão da repetência, era a diversificação no momento, atempada, para recuperar os alunos. Ou seja, este método não está a dar é preciso accionar imediatamente o outro e não perder os alunos.

- Isso leva-nos também aos exames. Não acha que os exames sejam uma componente essencial do sistema. É assim, não é?

- Eu acho que os exames são um elemento importante no sistema educativo. Como as provas de aferição. Porque são momentos de avaliação externa. São provas que medem de uma forma harmonizada os níveis de conhecimento e competência que os alunos atingiram.

- Então são importantes.

- São. Mas agora repare. Nós podemos defender isso do ponto de vista dos princípios e até concretizar nos exames. Mas a questão é o que é que nós fazemos com os exames. É que para melhorar o sistema educativo temos de fazer alguma coisa. Nós tivemos exames durante dez anos no ensino secundário e os resultados só pioraram. Só pioraram. Ao longo de dez anos a taxa de insucesso foi sempre a aumentar.

- Porquê?

- Porque instituímos os exames e depois não fizemos com os exames o que deveríamos ter feito. Que é devolver os exames às escolas, dizer aos professores e às escolas que há deficiências de ensino, vamos lá ver como é que isto melhora. Acho que o momento em que se decide fazer a reforma do secundário já está relacionado com esta avaliação dos resultados dos exames. E penso que a reforma foi muito positiva, mas não chegou.

- O que é que se fez para além da reforma?

- Passámos a devolver os exames aos professores, às escolas, a exigir relatórios sobre o que se estava a passar, fazer também as provas intercalares, para que não haja só a surpresa no final do ano, para que os professores possam ir medindo ao longo do ano o trabalho que está a ser feito com os alunos. Os exames podem ser muito importantes mas têm de ser mais do que castigar os alunos. Faz-se um exame para quê? Para deixar muitos alunos de fora? Isso parece-me um pouco curto.

- Então para que é que se faz um exame?

- Em primeiro lugar para medir o nível das competências e dos conhecimentos e a seguir tentar elevar. Verificar que estamos mal a Física, estamos mal a Matemática e que se tem de fazer qualquer coisa a seguir.

- A violência nas escolas tem aumentado ou diminuído? Não há um certo alarmismo?

- Todos os dados apontam para a diminuição. Uma das medidas mais importantes que tomámos foi a das aulas de substituição. Reduziu muito a indisciplina.

- Reduziu com essa medida?

- Reduziu porque os alunos deixaram de estar horas a fio no recreio. Não havia momento algum do dia que se passasse numa escola que não se vissem alunos no recreio, uma barulheira enorme. Hoje passa-se às nove horas numa escola e está tudo nas aulas.

- Há mais trabalho.

- Exacto. Está tudo a trabalhar. É o tal elemento de valorização do trabalho e do estudo que me parece essencial. Que os alunos distingam o que é o momento do trabalho do momento de brincadeira e quando vão para a escola vão para ter aulas definidas no horário e espaços de lazer, brincadeira ou de projecto. Se não for assim os jovens não se socializam nesse rigor.

- Portanto a indisciplina baixou com essa medida.

- Todos os dados apontam para isso. Mas sabe uma coisa? A nossa escola é um espaço muito pacífico. Não há inquérito aos jovens que não revele o gostos que os jovens têm nas escolas, com os professores, os amigos que fazem. Enquanto espaço de socialização a nossa escola é pacífica, integradora, que responde muito positivamente aos jovens.

- E a violência? Nasce onde?

- Os casos de violência são gerados no exterior da escola. Há escolas em meios muito difíceis, há escolas que são hoje o que são em resultado de políticas de território erradas. É por isso que eu sou defensora da municipalização de uma parte do ensino porque os municípios têm condições de ter políticas para as escolas. Os autarcas são responsáveis de todos os sectores e podem ter políticas mais amigáveis para o sistema educativo. Há escolas em condições tais que é um milagre a forma como essas escolas resistem, apesar de tudo, o meio exterior.

- Quer dizer que os gangs não se formam nas escolas como alguns defendem?

- Com certeza que não. A minha visão é completamente contrária. A escola é um espaço pacífico. Muitas vezes não tem é os meios para resistir ao meio exterior, à violência não só física como a da pobreza, do desemprego ou outra violência social. Acha que as escolas fazem, em regra, milagres do ponto de vista da integração. Os casos de violência são pontuais, ocorrem em poucas escolas. Não significa que não sejam dramáticos. Mas são pontuais.

- A ideia que fica é a contrária, não acha?

- São pontuais. O que alastra mais é o problema dos comportamentos, da indisciplina, da tolerância a um certo desvio á regra. E isso é que eu acho muito importante até para combater o resto. Tornar as escolas com regras mais claras, mais respeitadoras do que são os espaços de trabalho, os espaços de estudo, os espaços de brincadeira. Essa clarificação é fundamental.

- Acha que o final do ano lectivo vai ser pacífico?

- Esse é o entendimento que fizemos com os sindicatos. Os sindicatos têm verbalizado que o entendimento é para salvar o terceiro período. Não sei se é para salvar, mas o que eu leio nessas palavras é a intenção dos sindicatos para acalmarem a situação e criarem um melhor clima de trabalho nas escolas. A pressão nas escolas é muito grande. E não é por causa da avaliação. É pelo facto de termos mais 32 mil alunos nas escolas, mais trinta por cento de um ano para o outro. Foram alunos que estavam no insucesso escolar e para isso contribuiu muito a criação dos cursos profissionalizantes. Estão a ser um sucesso nas escolas. Públicas e privadas.

- Com menos dinheiro, menos pessoas conseguiu mais resultados. Isto é verdade?

- É verdade.

- Foi difícil? Ou foi apenas uma imposição do défice?

- A dificuldade foi evidente. Foi difícil. Mas foi necessário ter um controlo sobre o instrumento de colocação de professores. É por aí que passa o essencial. E mesmo num quadro de mais autonomia para as escolas até no recrutamento de professores mantivemos o controlo nas entradas. Isso é decisivo. Porque cerca de 97 por cento do nosso orçamento são remunerações certas e permanentes. E isso não prejudicou, e foi esse o meu acordo com o senhor primeiro-ministro e o senhor ministro das Finanças, outras medidas muito importantes.

- Quais?

- Os cursos profissionalizantes, que tiveram financiamentos adicionais, por exemplo. De um certo ponto de vista a despesa cresceu. E o que se economizou com as remunerações certas e permanentes serviu para financiar vários programas, como o enriquecimento curricular que custa ao Ministério mais de 100 milhões de euros, as refeições escolares e outras medidas. Fizemos foi escolhas e controlámos a contratação.

- Quando chegou aqui esperava encontrar tantas dificuldades?

- Não sei responder a essa pergunta.

- Não tinha uma expectativa do que ia passar?

- Não. Eu acho que a dificuldade também é o resultado daquilo que conseguimos concretizar. É o reverso da nossa ambição. Fizemos muito, mudanças muito profundas. A reacção e as dificuldades resultam disso. Se não fossemos tão longe teríamos tido menos dificuldades. Agora, tudo isto foi sendo construído.

- E sempre com grande apoio político?

- Sempre com grande determinação e apoio.

- Sem esse apoio os ministros caem.

- Eu não tenho essa experiência.

- Quando houve esta remodelação as pessoas estavam à espera que caísse. E os professores estavam certos disso. É preciso muito apoio político para se manter no cargo.

- Não me tem faltado apoio político. Nem do primeiro-ministro nem do Governo. Todo o Governo é muito solidário com as políticas na área da Educação. Porque o Governo também sofre o embate. Não é só a ministra da Educação. Tem havido uma grande compreensão e apoio. É muito interessante, é muito extraordinário.

- A solidariedade?

- É. É uma experiência muito interessante. E também do Partido Socialista.

- Apesar de algumas vozes críticas.

- O Partido Socialista é muito plural. São coisas naturais.

- A sua política é bem diferente da seguida pelos Governos do PS do tempo de António Guterres.

- As condições são diferentes. Há algumas linhas de continuidade. Os anteriores Governos do PS desenvolveram ainda uma política de expansão do sistema na área do pré-escolar que foi muito importante. E o das bibliotecas escolares. Que têm tido continuidade. Há linhas de continuidade e de ruptura.

PERFIL

Maria de Lurdes Reis Rodrigues nasceu em Lisboa no dia 19 de Março de 1956. Licenciou-se em Sociologia no ISCTE, Instituto Superior de Ciências do Trabalho e Empresa, em 1984. Em 1996, doutorou-se em Sociologia no ISCTE e fez provas de agregação em Sociologia em 2003. Foi presidente do Conselho Científico do ISCTE entre 2004 e 2005, foi docente do ISCTE de 1986 a 2005, investigadora do CIES, Centro de Investigação e Estudos em Sociologia, presidente do Observatório das Ciências e das Tecnologias do Ministério da Ciência e da Tecnologia de 1997 a 2002, representante nacional no Grupo Indicadores para a Sociedade da Informação da OCDE. É ministra da Educação desde 2005.

UMA GRANDE SENHORA NA EDUCAÇÃO

Importa desde já fazer um pequeno registo de interesses. O jornalista tem uma grande admiração pela ministra da Educação, acha que tem feito um grande trabalho no Ministério da 5 de Outubro e tomado um conjunto de medidas que eram necessárias há muitos anos e que por falta de coragem política foram sendo sucessivamente adiadas. Mas as opiniões, como é óbvio, não interferem na forma como as questões foram colocadas a Maria de Lurdes Rodrigues na quinta-feira, à hora de almoço, numa pequena sala do 13.º andar do Ministério da Educação, logo a seguir à assinatura do acordo com os sindicatos sobre a avaliação dos professores. Uma avaliação que a ministra continua a defender com unhas e dentes e que considera essencial levar para a frente. Maria de Lurdes Rodrigues não pára, muitas vezes nem para almoçar. A semana que passou foi uma delas. Praticamente sem tempo para almoçar. E a mulher dura, necessariamente com muito mau feitio para suportar os ataques duríssimos de sindicatos e da generalidade dos partidos da Oposição, é uma senhora adorável que pergunta ao jornalista se pode ir comendo umas bolachas durante a entrevista. Uma mulher determinada, inteligente, que percebe bem as razões que levam os professores para a rua. Nunca, em trinta anos, alguém lhes impôs princípios que são hoje universais.


António Ribeiro Ferreira


In: http://www.correiomanha.pt/


19/04/2008

Destituyen a ministra (de education) Yasna Provoste

A sra. M. Lurdes Rodrigues e seus cumplices, fizeram um bom trabalho de tradução do modelo de avaliação chileno (tal facto não pode ser posto em causa).
No entanto, comparando com o Chile, já que foi "o seu país de eleição", será bom observar alguma da contestação de docentes daquele país (que apesar de forte, não se comparou a 100000 professores na rua) e ainda o fim que a Ministra da Educação teve.
Os nossos problemas são naturalmente diferentes, mas não são de todo menores.
O que temos certamente a menos é a coragem de alguns políticos, que se limitam a seguir orientações partidárias, mesmo quando em total desacordo, aprovando assim tudo o que um governo mimado, prepotente e arrogante quer, sem medir as consequências.

Que se vaya la ministra!!!




"I Believe In You (Je Crois En Toi)"

Verse I:
Lonely
The path you have chosen
A restless road
No turning back
One day you
Will find your light again
Don't you know
Don't let go
Be strong

Chorus:
Follow your heart
Let your love
lead through the darkness
Back to a place
you once knew
I believe, I believe, I believe
In you

Follow your dreams
Be yourself
an angel of kindness
There's nothing that
you can not do


I believe, I believe, I believe
In you.

Verse II: (French)
Tout seul
Tu t'en iras tout seul
Coeur ouvert
A L'univers
Poursuis ta quete
Sans regarder derriere
N'attends pas
Que le jour
Se leve

Chorus (French):
Suis ton etoile
Va jusqu'ou ton reve t'emporte
Un jour tu le toucheras
Si tu crois si tu crois si tu crois
En toi

Suis la lumiere
N'eteins pas la flamme que tu portes
Au fond de toi souviens-toi
Que je crois que je crois
que je crois
En toi

Bridge:
Someday I'll find you
Someday you'll find me too
And when I hold you close
I'll know that is true

Chorus (Change note):

Chorus:
Follow your heart
Let your love
lead through the darkness
Back to a place
you once knew
I believe, I believe, I believe
In you

Follow your dreams
Be yourself
an angel of kindness
There's nothing that
you can not do
I believe, I believe, I believe
In you....


i Believe, I believe, I believe
in you

18/04/2008

La Terra e l'Universo - The Earth & the Universe

Na esperança de que ganhemos consciência da nossa insignificancia e nos passemos a comportar como humanos.

Cercami - Renato Zero

MOMIX e Renato Zero - i migliori anni della nostra vita

MOMIX é uma companhia de dançarinos conhecida internacionalmente pela apresentação de trabalhos de extrema beleza física e criatividade.
Ao longo de 25 anos, MOMIX tem sido conhecida e galardoada pela capacidade de criar
um mundo surrealista usando luzes, sombras, humor, música e... o corpo humano.
Vale a pena apreciar.